Transição

Eu passei o dia mal. Tudo me incomodava, minha cabeça estava cheia e eu não aguentava mais engolir o choro. Pela primeira vez, desde que cheguei no Brasil, não me maquiei nem me fiz linda. Muito pelo contrário, me senti gorda, feia, cansada e foi o primeiro trapo que vi pela frente o escolhido para viajar.” Não vai usar nem mesmo um batom”, lembro de ouvir minha mãe dizendo com expressão de extrema surpresa. E lá vem o povo me arranjar sapatos finos ou roupas/acessórios, pra dar mais glamour aos meus trajes simples de viajante.Quem disse que eu quis? O momento do retorno, para mim, é sempre de muita tensão e meditação. Me recolho completamente para que meus sentimentos e fragilidade deem lugar a uma fortaleza que precisa lidar com duas crianças pequenas, documentos, procedimentos nos aeroportos e aeronaves.

Mais uma vez fui surpreendia por vôos tranquilos e sem turbulências. O único estresse foi a minha filha mais nova que, não encontrando o conforto da sua cama nos acentos do avião, deu escândalo bem na hora em que tudo havia se aquietado.Imagino o susto e o incomodo dos passageiros ao redor, como também (quero acreditar) a compaixão deles diante do desconforto que tive que lidar. Pai nenhum gosta de ter seu repouso interrompido para acalmar criança em crise, especialmente em lugar comunitário.

Depois disso, entre uma dormida e outra, conversei um pouco com meu vizinho de cadeira. Era um brasileiro, adolescente ainda. Vinha pela primeira vez a Noruega, para jogar futebol e tentar a vida aqui. Eu vi o sonho em seus olhos e desejei que ele tivesse muito sucesso. A caminhada não será fácil, mas o triunfo não é de maneira alguma impossível. E aquilo que ele estava vivendo já era uma vitória, não é mesmo?Ter um talento, ser descoberto, encontrar alguém que acredite e dê uma oportunidade não é para qualquer um. O mais legal foi que na aterrisagem, flagrei o seu primeiro encontro com o Ice Paradise. A pista de pouso coberta de neve é realmente uma linda e assustadora maneira de dar as boas vindas a um imigrante. Sim, há quase 10 anos era eu quem estava em seu lugar, encarando o novo meio que apreensiva, maravilhada e saudosa.

 E tal qual como em uma escola ou universidade, eu, uma experiente veterana, joguei aquele pensamento solidário ao calouro: Gosh, como será uma experiência dura e maravilhosa!

Palavra de uma apaixonada pela Noruega!
  

Imagem- Reprodução

Luke 22: Viagem para o Brasil

Eis que no último minuto do segundo tempo, pulamos fora do frio e viemos passar o natal na minha terra natal, Natal. É natal demais! Voamos pela TAP, dormimos em Lisboa já sentindo o gostinho do Brasil tanto na culinária quanto na língua e cultura.
 

primeiro contato com o feijão
 
Que saudades! Aterrissamos na terrinha no início da noite depois de um vôo muito tranquilo e confortável. As meninas colaboraram, não houve turbulência, eu estava tranquila, desprendida e bastante agradecida por tudo. Este sentimento funcionou como um dramin e o medo de voar esvaiu-se, tornando a viagem uma experiência bastante agradável. Devo elogiar também a comida do avião, minha nossa!! Até nisso tivemos sorte, estava surpreendentemente deliciosa!Na chegada ao aeroporto, preciso dizer que fomos recebidos de um modo bem brasileiro. Explico:a fila do controle de passaporte se dividia em 3: Fila prioritária, fila para brasileiros ou estrangeiros originários de países do Mercosul e uma fila para estrangeiros. A primeira, digamos que tinha dez pessoas. A segunda, o dobro e a terceira, o triplo. Pois bem, entrei na fila prioritária que EM REGRA deveria ser rápida, já que nela estavam idosos, gestantes, crianças e até bebês recém-nascido.

Porém, tendo apenas um funcionário para nos atender, a fila para brasileiros terminou e na prioritária ainda tinha, tipo, umas 5 pessoas na minha frente. Depois de extinguir a fila, você acha que abriram os guichês para terminar de atender os que mais necessitavam??? Nãooo, começaram a atender os estrangeiros!Simmm!!! E a nossa fila prioritária naquela demora incômoda, sem qualquer serventia.

Me arrependi por não ter ficado na fila normal e na próxima oportunidade, já sei onde ficarei ( fica a dica).

Depois de passar pelo controle, malas em mãos, meus familiares me aguardavam. Abraços, conversas, sorrisos e muitos choques culturais que relatarei nas postagens futuras.

Poder curtir o natal escandinavo e comemorar o natal brasileiro foi um presente e tanto!