À uma adolescente de 70 anos

Ontem minha mãe fez 70 anos e posso afirmar que nunca a vi tão feliz e radiante como nos últimos meses. Acho que ela está tendo merecidamente a melhor época de sua vida. Isso porque teve uma infância difícil com um pai extremamente violento. Sua adolescência/início da fase adulta também havia muito controle, apesar de que ela bem curtiu bastante para a época.Ai veio a faculdade, preocupação com a carreira, um casamento/aprisionamento e os filhos. Veio a perda de um filho de 4 anos, um trauma para a vida toda. Veio o câncer de mama, veio a descoberta de uma traição, veio sofrimento e perseguição por anos. E veio ao fim dos 60 anos a carta de alforria que ela não queria dar: a separação. De início, sofreu. Parecia que a vida não tinha sentido, a casa estava vazia demais sem os filhos crescidos e o marido. Ela viajou. Conheceu o mundo e conheceu a si mesma, reconheceu que nessa vida não detemos o controle. Ela se permitiu viver. Se pôs bonita nos tratamentos estéticos, arranjou uma thurma pra chamar de sua e não passa em casa nos fins de semanas. Na verdade, a casa virou seu santuário, local onde cura sua ressaca e se prepara para a próxima aventura. Falando com ela ontem, eu pude perceber aquela felicidade sincera e debochada quando ela me disse que havíamos trocado de papéis: eu agora era ela antigamente ( preocupação com a carreira, filhos, responsabilidades, marido e o pacote todo) e ela era aquela Nara adolescente, sem preocupações e com um bilhão de amigos curtindo muito uma vida tão feliz. 

Sim, Mãe, você pode dizer que ao longo dos teus 70 anos finalmente você pode viver tranquilamente e curtir muito, sabendo que tudo que você fez para nos educar e proteger não foi em vão. Eu agradeço por todo o amor incondicional e por estar sempre ao meu lado, me orientando e guiando quando a falta de experiência de vida me colocava em becos sem saída. Você é incrível!!!


Parabéns!!!!
Imagem- Reprodução

Crença e declaração de amor ao mundo

Abri as cortinas do meu quarto. Deixei o sol entrar. Vi através da janela o vento balançando as folhas das árvores. Senti o calor do sol em minhas pernas. Acomodei-me preguiçosamente em minha cama. Muito conforto e tantos agradecimentos. A quem? A quem está no comando. A quem me permite viver tantos prazeres e tanta tranquilidade. Uma paz de espírito que se funde com uma preguiça. E eu penso em nossas crenças, nos que nos foi ensinado a acreditar, na obrigação de se ter uma posição religiosa, como se isso fosse definir quem eu sou.Se sou católica, faço parte do grupo. Se sou evangélica ou pertenço a outro credo, bom, pelo menos eu tenho uma religião. E se minha religião for uma enorme interrogação? E se eu tiver humildade suficiente pra reconhecer que “só sei que nada sei”?

Incertezas. Mesmo assim, aplaudo de pé o chefe da maquinaria, seja ele quem for. Apesar dos pesares, o mundo é um lugar incrível.

Apenas um dia qualquer de primavera

É mais claro e ensolarado, mas não quer dizer que tenha menos neve ou frio. A noite chega por volta das 19h e o dia, já às 6h. Já não preciso tanto do carro e até me arrisco em algumas caminhadas mais longas com Mr. Salsicha. 
Enquanto a cidade grande está assim…



Oslo, faculdade de ciências jurídicas



A roça onde moro ainda está assim 



A neve estava tão fofa que até arrisquei um boneco


Não é dos maiores porque não tenho coluna pra isso. Porém, tenho certeza que vai inspirar minhas meninas a tentarem um maior.

Falando em faculdade, terminei anteontem meu trabalho final. Simplesmente uma-semana-antes-do- prazo, para a surpresa de meus colegas de classe. A maioria nem começou. E lá fui eu explicar que eu tive que fazer tudo antes porque tenho duas filhas e não posso me dar ao luxo de me trancar em um quarto por uns 3-4 dias para escrever. Preciso contar que não tenho fins de semana disponíveis, que a escola pode fechar para dia de planejamento, crianças adoecem e etc. Tudo acontece quando se está com prazo curto. Além disso, eu preciso separar um tempo para a minha professora de norueguês revisar meus textos, né? Enfim, ter uma organização é tudo e eu aprendi a duras penas. Hoje, com a cabeça mais relaxada, fiz alguns outros deveres de casa, só que a apatia pós almoço me pegou de vez. Não contei conversa e vim aninhar-me embaixo do edredom. 

Pensei no dia atípico que eu tive ontem, um dia muito bacana e especial. Tenho uma colega de classe, uma norueguesa que eu conheci semestre passado. Acho que sentamos uma ao lado da outra duas vezes, mas a sintonia/química foi instantânea. Só que eu parei de frequentar as aulas porque elas passaram a ser publicadas em vídeos no site da universidade, de modo que perdemos o contato e nunca mais nos vimos. Este semestre, para minha surpresa, quem estava na minha aula obrigatória de criminologia? Ela mesmo! Incrível! 

Ai que ontem ela me chamou para tomar um café na minha cafeteria favorita e lá conversamos sem parar. Muitos foram os assuntos, de professores, matérias, trabalhos, profissões a família e relacionamentos. Eu me abri com ela sobre a minha dificuldade em relação ao norueguês acadêmico e ao mesmo tempo que me senti aliviada por tratar desse assunto com alguém além de meu marido, senti também um certo desconforto. É assim, eu aprendi que não podemos nos abrir 100% com as pessoas e ela, que eu não conhecia direito, sabia sobre minhas notas, de meus desafios e meus anseios profissionais( que também são os dela). Ora, eu até lhe passei todas as dicas para conseguir o trabalho que eu tinha no aeroporto!

É medo de ser usada, eu sei. Medo de me decepcionar mais uma vez, de levar uma rasteira e de me odiar por permitir que os outros me façam de besta. Tipo cachorro machucado, sabe? A pessoa vai dar um carinho, mas o levantar da mão, o pobre só lembra as porradas que levou.Eu sei bem..

Imagens- Arquivo pessoal

Valeu! Foi bom, adeus!

Estava amuada por estes dias. Coisas de amizades mal resolvidas, gente que a gente gosta, mas que não gosta da gente do mesmo jeito. Dói, viu? Não é a primeira nem será a última, mas toda vez que eu abro minhas entranhas, a pessoa entra de salto alto e samba. Não trata com o apreço que eu ( sei) que mereço. Pelo meu bem estar, eu desapeguei. Não tem tratamento vip nem minha atenção imediata de outrora. Simplesmente porque…


É o curso normal da vida, faz parte. Valeu! Foi bom, adeus!
Imagem- Reprodução

Cápsula do Tempo

A vida é muito louca mesmo. Eu acordei pensando no vídeo que assisti e nas decisões que eu fiz. Segundo o que interpretei dele, eu estava certíssima por abdicar de um emprego extenuante para voltar ao banco de uma universidade. Apesar da grana mais curta, isso significa não só adquirir mais conhecimento como ter mais tempo para as crianças/marido e o principal de tudo, ter tempo para mim. Qualidade de vida mesmo, sabe?Sentar, olhar para o horizonte, admirar um pôr-do-sol e matutar cá com meus botões, do jeito que eu faço agora.

Céu rosado de ontem

Porém, carregava junto um sentimento de culpa. Como eu pude trocar o certo pelo duvidoso, um trabalho perto de casa, deixar de lado a estabilidade financeira para ir em busca de uma aventura que eu nem sabia se daria certo.

Pra fechar de vez com qualquer questionamento sobre ter feito a escolha certa ou não, encontrei um ex-colega de trabalho no supermercado.Irreconhecível, envelhecera 10 anos em dois. Parou, veio me cumprimentar, perguntou da faculdade e eu respondi que estava bem, mas que havia pensado muito em voltar pra lida no aeroporto. Ele me olhou de um jeito incrédulo e afirmou que eu não tinha que fazer isso, que aquele não era um ambiente saudável e que eu merecia mais depois de graduada. Me informou que estava de licença médica tinha já um mês e não sabia quando voltaria. Concordo em partes com ele, não é saudável trabalhar em turnos tendo que acordar às duas da manhã, por exemplo. Me lembro de como eu vivia doente, qualquer gripe me derrubava. Além disso, tinha o esgotamento físico e mental. Eu me dava por inteiro no trabalho e quando chegava em casa, não conseguia lidar com a segunda jornada tendo que ser mãe, esposa e dona de casa. Era um inferno na terra e este foi um dos motivos que me fez pendurar as chuteiras na empresa, mesmo gostando muito da minha antiga profissão. 

Pencas de pôr-do-sol


Engraçado que na época eu achei que seria temporário, tanto é que arrumando o quartinho da bagunça agora há pouco, encontrei minha bolsa do trabalho intacta. Foi como abrir uma cápsula do tempo repleto de pedaços de uma rotina que eu vivia dois anos atrás.Maquiagem vencida, material de trabalho, até saquinho de açúcar foi esquecido. Doeu o coração.Deu saudades daquela rotina agitada, das pessoas que eu encontrava, dos colegas que eu fiz. Eu era parte de um “gjeng”, de um grupo muito bacana. Mas eu reconheço que eu tenho muita sorte por ter tido a oportunidade de parar sem grandes transtornos, de acompanhar minhas meninas crescerem de perto e estudar. Tem gente ( como o meu ex-colega) que não pode se dar a este luxo e é nele que pensarei toda vez que o sentimento de impotência me atacar diante de uma nota ruim ou dificuldades no aprendizado. A zona de conforto definitivamente não é pra mim.

O pôr do sol, sim! Enjoy!


Imagens e vídeo-Arquivo pessoal

O Espaço Sideral na ponta dos dedos

Enquanto isso, no espaço…


Eu demorei menos de 2 minutos

Sabe o que é, andei fazendo unhas em gel e estou me achando a última bolacha do pacote. Pra você ver o que um pouquinho de vaidade faz na vida dessa mulher que aqui escreve. Eu, que até semanas atrás não tinha um esmalte, agora brinco de cor nova semanalmente.

Aqui meus novos bebês:

Tudo perfeito para usar nos festejos de fim de ano.

Até agora só me joguei no primeiro, segundo e no quarto. 


Muito ansiosa para saber como o vermelhão ficará. Já o amarelo, por ser aguado e transparente, tenho minhas dúvidas quanto ao acabamento. Quem sabe ficará legal com uma surra de glitter, né?Bom, falta só um esmalte branco/renda pra garantir o reveillon com algo assim:


Foto-Site Esmalte Bonito 😍

E por falar em final do ano, ando inquieta com certos assuntos além das minhas provas finais. Recebi a notícia de que meus pais compraram as passagens e estarão aqui dezembro inteiro.

Para muitos brasileiros que vivem em uma terra distante, longe de familiares e amigos, isso parece uma benção. Para mim, é motivo de preocupação porque eles não são pessoas fáceis de se conviver. Meu pai principalmente, um senhor doente que nem pode andar direito devido a problemas no coração. Está com a saúde por um fio e foi inclusive desaconselhado a fazer viagens internacionais por conta de seu estado.

Some isso uma pessoa extremamente complicada, daquele tipo que magoa outro como se dissesse bom dia.🙄

Minha mãe, por sua vez, é autoritária e cheia de exigências. Além de não ajudar com minhas crianças, ela quer ter suas vontades atendidas prontamente, sem levar em consideração que eu preciso atender minha família primeiro. 

Além disso, tem o problema conjugal que os dois carregam. Estão separados, saem com outras pessoas, mas viajarão pra cá como um casal. Isso significa que se meu pai encher o saco da minha mãe, ela descontará sua raiva em mim como.sempre.faz. Isso em um local cheio de neve e com graus negativos, ou seja, não tem pra onde correr. Eu terei que sair todos os dias pra distraí-los, simples assim.

A situação só se neutralizaria caso meus outros irmãos também viessem, de maneira que seria dividida a tarefa de dar conta dos nossos pais.Esta é minha torcida sincera, que eles venham aliviar a minha barra ou você terá que aguentar um blog de desabafos, hahahaha!!!!

Brincadeiras a parte, não quero tirar o meu da reta. Sou uma pessoa que não tolera muito gente autoritária, ainda mais quando estou em uma posição que me permite total independência. Tem que falar por favor e obrigada, tem que ter delicadeza na voz, tem que me tratar como um ser humano igual e não como um capaxo. Desculpa mãe e pai, mas ser sua filha não tira o meu valor. Me trata como uma anfitriã que eu gosto mais.
Imagens-Arquivo pessoal