Olhos marejados de amor

Cada vez que leio notícia de um atentado/ morte violenta, me dou conta do quanto que a vida é frágil. É nesse momento que orgulho, ostentação, mania de grandeza, vaidade, competição descem pelo buraco do esgoto e o que sobra é a vida sem aquela pessoa. O que importa o resto se ele/ela não está mais aqui? E os planos?Os sonhos? E a rotina de antes? Pensando em especial no garotinho Julian, como não fazer sua lancheira da escola? Como não preparar o seu material? Como assim brinquedos intocados, cama feita e casa arrumada? Como viver em um ambiente sem barulho, sem a gargalhada, sem toda aquela vida? Eu tenho duas meninas justamente nessa faixa etária incrível e me solidarizo com a mãe que ainda luta por sua vida no hospital. Me solidarizo por todos que já perderam um ente querido e que carregam o nó na garganta. Eu carrego o meu desde os 9 anos, quando perdi um irmão de 4 anos. Quando penso nele, dói como naquele dia.

Imagem- Arquivo pessoal

Miss Brasil 2000 …e dezesseis

Assistindo a coroação da nova miss Brasil 2016, viajei a meu passado.


Miss Brasil 2016-A mulher é simplesmente maravilhosa

Ser alta tem suas vantagens. Se nas fotos eu era geralmente colocada atrás de todo mundo e na sala de aula, só pegava carteira no fundão, o lado bom é poder assistir um show sem cabeças que me tomem a visão. Também já treinei volley de graça em um clube famoso de minha cidade (como se o fato de ser gigante estivesse atrelado a habilidade esportiva). Pra não dizer que fui tão mal, cheguei a ganhar uma medalha de ouro, mérito das outras jogadoras baixinhas, claro.

O mesmo aconteceu quando tinha por volta dos 16. Encasquetaram que eu poderia ser modelo e lá fui eu fazer o curso. Não passou muito tempo e um missólogo me chamou para participar do Miss Rio Grande do Norte 99. Caralho, já vai fazer 20 anos????😱

😒”Pois muito que bem“, disse minha mãe bem franca. “Ela pode participar desde que eu não gaste um tostão“. 

E lá fui eu tapar buraco de cidade avulsa sem miss, desprovida de qualquer conhecimento de passarela e muito menos de mundo, usando roupas de gala emprestadas e tudo de terceira mão.


Era bem assim

Ao contrário da minha pessoa, a Miss Natal, loira maravilhosa estilo recatada e do lar, era patrocinada por loja de madame e só vestia do bom e do melhor. Na cara que era jogo de cartas marcadas, se você me pergunta. A concorrência era desleal e o fato de ter o próprio maquiador/ cabeleireiro mostrava que ela não estava de brincadeira.

Nos dias que antecederam o evento, nos internamos em um hotel badalado. Essa parte eu me lembro que curti bastante, era uma maratona entre salão de beleza, treinamento, passeios para fotos, divulgação, visita a canais de tv, parada obrigatória na prefeitura e tantos outros compromissos que fazem parte da agenda das embaixadoras da paz mundial.


Recorte do jornal guardado pra mostrar para os netos, hahaha

No dia do concurso, me fizeram um penteado de naja que já tirava de mim qualquer chance de ganhar para rainha do milho, que dirá um concurso estadual. 


Tipo assim multiplicado por três

Dai que indo em direção ao microfone para me apresentar, com toda a minha graça, elegância e malemolência, é claro que quase tropeço feio na frente da cidade inteira. Me recompus rapidamente, apresentei-me conforme combinado e depois, o concurso seguiu sem maiores emoções, tirando apenas o fato de que cheguei somente ao top 15. Fiquei arrasada, sem saber que aquela derrota na verdade era a melhor coisa que me havia acontecido. Imagina se eu fosse para o quadro das perguntas? O que uma adolescente de 16 anos tem a dizer a respeito da vida e outras questões tão profundas que nem hoje nos meus 34, consegui achar respostas? Fora que eu nem havia lido O Pequeno Príncipe.

A vencedora do Miss Rio Grande do Norte 99 foi a Miss Natal ( ohhh, que surpresa!!), porém, ela acabou perdendo a coroa por ser menor de idade. Ou seja, né! Deu merda no fim.

Brincadeiras a parte, apesar de ter curtido a experiência de saber como um concurso desses funciona, não é o tipo da coisa que mais tenho orgulho na vida. Isso se deve porque, se você parar pra pensar, a coisa é muito bizarra. Como é que se pode escolher uma pessoa para desempenhar um papel de boa samaritana envolvida com trabalho social, se ela é escolhida pelo tamanho de sua coxa?Tão maluco e sem noção quanto as fias que postam foto de decotão com legenda recheada de trechos bíblicos.Simplesmente não orna.Que tal um pouco de honestidade? A fia tá ali porque pensa numa carreira internacional, na possibilidade de virar atriz, cantora, apresentadora ou pelo menos arrumar um bom casamento.


Arrasô, miga!Não conseguiu o Miss Universo, mas catou o doidinho do KLB👍🏼👌🏼👏🏼👏🏼👏🏼👏🏼

Em suma, me é estranho essa coisa de eleger alguém como o mais belo corpo e mente do mundo sem um propósito maior que este. Foi uma experiência interessante, mas não é algo que eu incentivaria minhas filhas. Eu prefiro que elas sejam reconhecidas por outros talentos, por possuírem mentes brilhantes e  que se destaquem em suas áreas de trabalho. Que sejam meninas independentes de homens e da pressão pelo corpo perfeito.Que sejam livres e felizes, that’s all.
Imagens- Reprodução

O que você vai ser quando crescer?

Primeiro eu queria ser veterinária. Cuidar de bichos abandonados e doentes, aquele amor puro de criança. Depois, queria se estilista. Amava desenhar roupas, passava horas e horas criando no papel modelitos e pequenas novelas que só faziam sentido na minha cabeça. A adolescência chegou e eu queria ser modelo. Cheguei a participar de um concurso de beleza, acredita? Sorte a minha que naquela época não existia essa coisa de internet, redes sociais e exposição, caso contrário, não seria pouca a vergonha. Cresci mais um pouco e pensei em fazer faculdade de jornalismo, mas me formei em Direito por livre e espontânea pressão. E foi ai que me mudei pra Escandinávia não querendo nada mais que um emprego. 


Trabalhei em uma creche, como vendedora em uma loja de material de construção e por fim, na segurança de um aeroporto. Foi ai que me encontrei de verdade e vi que meu interesse era com algo que envolvesse segurança, controle e proteção. Só que este tipo de profissão não cabe, por enquanto, na minha vida de mãe de família. E ai mais uma vez voltei pra um banco de uma universidade, tentando me encontrar. Me apaixonei pela Criminologia, é verdade, mas não sei onde ela me levará ao certo, se conseguirei unir minha necessidade pessoal com a do mercado de trabalho. São tantas dúvidas e incertezas, até mais de que quando eu tinha 18. Talvez porque naquela época eu não sabia como a vida funcionava, talvez porque agora eu não tenho tempo pra errar e voltar atrás.Talvez a solução seja ganhar na loto e pronto. Talvez.

Mudança Extrema- parte 2

Em comemoração aos meus dez anos de Noruega/Suécia, dou continuidade a série de postagens sobre a minha nada mole vida de estrangeira na Escandinávia.Pra não perder o fio da meada, Post 1 tá aqui.

Não passei mais que um mês na Suécia e nos mudamos de mala-e-cuia para a Noruega. ApErtamento alugado, um mar de pertences pelo chão, o caos era temporário, sabe comé mudança. Porém, muito diferente da vida de uma recém-casada que eu imaginava, com todas as panelas ariadísimas, mobília pingando a lustra-móveis, tudo cheirando a novo e muito bem organizado( pela empregada, haha!).

Me distraia com meus livros e filmes, com a mudança das estações, com a internet lenta do local. Paciência!

Esperava ainda pelo visto norueguês. Enquanto isso, não podia estudar ou trabalhar, apenas respirar. Paciência!

Vi que eu necessitava de um companheirinho e foi ai que o Dachshund surgiu na minha vida.


Ou seja, esse menino também fez 10 aninhos de vida!Quando a chapa ferve, ele sempre salva o dia.❤️

Depois dele, três meses depois, compramos o nossa própria morada. Foi quando eu realmente senti que as coisas começariam a acontecer. Era só esperar mais um pouquinho( total de 9 meses) até receber o visto norueguês e, por conseguinte, ter a possibilidade de estudar a língua…(a continuar)

Mudança Extrema

Me lembro da despedida. Descendo as escadas e encontrando minha mãe sentada na cozinha. Chorava muito a coitada, foi doloroso. Lembro que entrei no carro, eufórica por ser recém-casada, por ter uma mala cheia de expectativas que só os recém-casados tem. Não olhei pra trás nem quando o carro se distânciava da minha antiga residência nem quando me despedi do meu pai no aeroporto. Eu só olhava pra frente e que nada me impedisse. 

Cheguei na Suécia à noite. Vestido preto rodado, salto alto( o que é que uma pessoa faz de salto alto num aeroporrrrto, me diz?), cabelo escovado, maquiagem borrada por conta da dormida no avião. Um frio inesperado, afinal, “não era verão?” Nunca é verão à noite, apesar de ser verão, esta foi minha primeira lição em terra estrangeira. Vesti minha calça jeans em uma estação deserta, me perdi dentro de um casacão masculino e lá esperamos nosso trem. Segundo choque: Não importava estar cansada, faminta ou com frio, não havia ninguém para nos buscar ou nos abrigar. Então, de trem lotado fomos em pé até a cidade vizinha a Estocolmo. Não me lembro como chegamos em casa nem como fora a primeira noite na minha casinha de bonecas, só sei que aquela foi a primeira vez que me vi sozinha e longe do conforto familiar. A primeira vez que encontrei de verdade o Ice Paradise.


 10 anos que vivo entre Suécia e Noruega, 10 anos de Escandinávia. 

Hurra, Hurra, Hurra!

*Em comemoração aos 10 anos de escandinávia, preparei alguns posts contando como foi meus primeiros dias aqui.Aguarde!

Aniversário de casamento

Certa vez, no comecinho da minha adolescência, eu estava com umas amigas em algum show de Axé na minha cidade. Me lembro como se hoje fosse que eu tinha por volta de uns 14/15 anos e lá eu conheci um rapaz. Dançanos um pouco, batemos um papo e depois de uns beijos roubados, ele me disse que precisava ir ao banheiro. Tão nova e ingênua, eu não percebi que o meu ficante estava me dando um “perdido” e fui até lá perguntar por ele a um cara que acabara de deixar o local. Além de dizer que o banheiro estava vazio, foi ele inclusive que me alertou do fora, momento em que fiquei com corações em pedacinhos minúsculos e com uma vergonha de queimar o corpo inteiro. Os contos de fadas não haviam me ensinado isso do “príncipe” se aproxima da “princesa”, se divertir um pouco e depois desaparecer bem covardemente, sem se despedir nem nada. A primeira ilusão amorosa a gente nunca esquece. Depois deste dia eu passei a ser bem descrente em relação aos garotos, sempre esperando o pior dessa raça ruim, haha!Tive pouquíssimos namoros sérios, outras decepções, até que um dia eu o conheci. 

Eu não quis acreditar que aquilo era possível, que apesar da distância, da dificuldade com a língua, meios de comunicação precários, apesar de todos os contratempos e impedimentos, nós realmente tínhamos um relacionamento, um namoro a distância por 2 anos, nos encontrando a cada seis meses, para que em julho de 2006 acontecesse finalmente o nosso matrimônio na Igreja.  

Ai você veja bem.10 anos depois, em um parque de Riga, me veio inexplicavelmente certa sensação de abandono quando ele precisou ir ao carro mudar o ticket do estacionamento. Eu simplesmente ignorei por um breve instante a nossa história, nosso casamento de 10 anos, nossas filhas e tudo que compõe nossa vida. Eu tive medo que,igual ao rapaz do show que me deu aquele perdido, ele não voltasse mais.

Passaram-se alguns minutos de angústia e logo pude ver, lá longe, o meu amor. E mais uma vez acreditei em contos de fadas, porque cada dia ao lado ele é a prova de que algo bacana existe quando você encontra a pessoa certa, aquele que te ama, te respeita, torce pelo teu sucesso e tua alegria, aquele que torna a vida tão leve que você não consegue e nem quer se ver fora dela. 


Imagem-Arquivo pessoal

Uma coisa leva a outra

Estava no ônibus a caminho de Oslo quando notei que minha operadora de celular mudou de nome e agora chama-se Telia. Isso me levou a meados de 2004, quando ainda namorava meu marido e me lembro que ele usava esta mesma operadora. Na época não existia essas facilidades de comunicação que hoje temos e para ter contato com ele pelo telefone, precisava ligar ou mandar um sms pelo site da operadora.Ligar estava fora de cogitação, era muito caro! O jeito era mandar uma mensagem.

Tinha direito a usar apenas 4 sms por dia e quando fui escrever uma mensagem toda amorosa-romântica-adocicada no último sms que restava, cliquei no nome dele na área dos contatos e enviei completamente feliz e satisfeita. O que eu não sabia era que do outro lado do mundo a pessoa que iria receber não seria o meu marido e sim o seu amigo que tem O MESMO NOME. Não sendo isso suficiente ruim, ele era casado com uma brasileira conhecida minha e foi ELA que leu a bendita mensagem. 

Soube, no dia seguinte, que a casa havia caído para eles, ela estava muitooo zangada e ele, coitado, sem saber como explicar a coisa toda. Só depois é que, conversando com o meu marido, descobriram o engano. Eu pedi zilhões de desculpas e depois deste evento, procurei ser mais cautelosa possível com minhas mensagens, mas ó, dou boas risadas toda vez que me lembro do ocorrido.

Telia marcou a minha vida😂😂😂

Convivendo com a Hérnia de Disco

Era janeiro de 2008, uma sexta-feira. Lembro que foi um daqueles dias de limpeza pesada, pois era aniversário do marido e receberíamos alguns amigos para jantar. Cada pedacinho da casa foi muito bem desinfetado e o banheiro era o meu especial orgulho (quem tem banheira em casa, sabe como é chato a limpeza até deixá-la brilhando).

Teve a festinha à noite, normal. Veio o sábado, o domingo e na segunda, uma crise. Dores extremas nas costas. Eu simplesmente não conseguia me mexer sem sentir muita dor. Meu marido foi trabalhar e eu fiquei sozinha em casa, em cima de uma cama. Me levantava apenas para fazer xixi e eram minutos muito dolorido. Lembro que à tarde deitei-me no chão para ver se seria mais confortável…quem disse que consegui me levantar?Fiquei no chão até o marido chegar e praticamente me carregar para cama. Uma pessoa tão ativa e nova, com 26 anos estava agora com a coluna ferrada, inacreditável. No dia seguinte eu estava muito pior, cheguei a desmaiar de tanta dor, urinei-me toda, foi um caos!Fomos para o médico e ele descobriu na hora o meu problema: hérnia de disco. 

  
Ele receitou ibox, passou uns exercícios e marcou um especialista para daqui a 6 MESES!!!! ( viva a eficiência norueguesa, uhuuuu!!)

A dor grande passou, mas voltava sempre que eu transgredia as regras, seja pegando em peso, fazendo esforços repetitivos com a coluna, usando saltos, sendo sedentária e até o fato de estar acima do peso dificultava o processo de restabelecimento.

Finalmente fui a um especialista, fiz os exames para ver o estado de minha coluna e lá estava o motivo da minha dor nas chapas de raio-x.Fiz fisioterapia, tratamento com quiropraxista e, apesar do alívio momentâneo, desisti de continuar com eles, pois a dor gigante voltava dias depois. Eu não queria ser dependente de um quiropraxista ou de uma mesa de físio, eu queria minha vida de volta.

Só que no MEU CASO, essa vida só voltaria se acaso eu fizesse uma cirurgia( o que não foi recomendado, afinal, eu era jovem, a dor não era tão insuportável e não tinha irradiado, eu ainda conseguia segurar a urina, estava tudo certo) ou emagrecer e me exercitar para sempre, tomando muito cuidado com pesos e movimentos repetitivos com a coluna.

Eu escolhi a segunda opção. Emagreci( e engordei de novo, abafa), mas se existe algo que nunca mais deixei de fazer diariamente é caminhadas.

Já comprei duas esteiras e é uma dependência constante porque quando fico dois ou três dias sem me mexer muito, a dor reaparece quase como punição. Ela  me lembra da pior forma que se eu voltar a ser sedentária, a dor vai atacar com força. Talvez tem que ser assim mesmo para que uma pessoa completamente desgostosa de treinos e atividades físicas se force a malhar.

Eu sei que depois dessa resolução, eu nunca mais tive uma crise tão assustadora de desmaiar e não poder me movimentar.Claro que preciso me cuidar constantemente, evito situações perigosas como carregar muito tempo criança no braço, ajudar com móveis pesados, malas, ficar em pé por muitas horas, usar salto alto, sedentarismo e tudo que pode abalar minha coluninha linda. Com esses cuidados e iniciativas, eu tenho uma vida normal e melhor de tudo, sem dores.

No final das contas, dos males, o menor. Hérnia é coisa séria e dependendo da gravidade, dá sim para conviver. No meu caso, transformei-a em uma pedrinha no sapato e aprendi a conviver com ela evitando assim os calos ou feridas. Muitas vezes até esqueço o problema e olha que estou acima do peso. Se eu fosse mais ativa, com a musculatura mais fortalecida, creio que teria até mais qualidade de vida.

Por isso, se você tem esse problema, não é o fim do mundo. Dá pra conviver muito bem (dependendo de cada caso), desde que a pessoa se movimente. Atualmente eu faço caminhadas diárias de no mínimo 4km, porém, recordo o quanto fui feliz na época que fiz pilates.

Fica a dica!
Imagem- Reprodução

Bodas de Estanho

Era 2004. Havia acabado de sair de um relacionamento longo e tinha esperanças de um ano novo feliz. Recebi uma solicitação de amizade de um estrangeiro no MSN. Hesitei. Na minha cidade, naquela época, gringos não eram visto com bons olhos devido a crescente onda de prostituição. Será que ele estava pensando que eu era do banado? Eu aceitei o pedido de amizade e no dia três de janeiro de dois mil e quatro começamos a teclar. Vi sua foto e me apaixonei. Pensei: se ele quiser, eu quero. Um mês depois ele estava aqui para me visitar. Fui buscá-lo no aeroporto com meus pais e a química foi perfeita. Depois disso, não desgrudamos mais. Dois anos de namoro a distância, com todas as dúvidas, barreiras geográficas, culturais e da língua nos fizeram ter certeza de que queríamos isto para sempre. Dois anos depois, em 2006, dissemos sim a um juiz de paz sueco. Era uma tarde fria, eu usava um blaze rosa, carregava flores amarelas e estava radiante. Dera o primeiro passo e realmente não importava o por vir desafiador,
se ele estivesse ao meu lado, encontraria em tudo um toque de alegria e graça. E assim foi, ano após ano. Doze anos que nos conhecemos e dez anos que nos casamos. Assusta bastante olhar para trás e reconhecer que o tempo passou rápido demais. Por um outro lado, me alegro por tudo ser tão fresco e intenso como há doze anos.Temos uma história linda que hoje foi comemorada nas águas de uma lagoa, com meus familiares e minhas crianças, super passarinheiras dentro da água morna e cristalina de Karranka.

  

Imagem- Arquivo pessoal

Um pai abstrato

Faz muito tempo que não falo com meu pai, muito mesmo. Eu sinto muito que ele esteja morto enquanto ainda vive. Que ele tenha escolhido não ter contato comigo, desde a minha infância. Meu comportamento de hoje é apenas um reflexo do comportamento dele em relação a mim, só depois que cresci é que fui entender isto.Não posso negar, ele trabalhou duro para manter sua casa, bancou minha educação, inclusive a universitária. Não me agrediu tanto, apenas alguns cascudos ou chutes embaixo da mesa (digo apenas porque, comparando com a educação rígida e o incentivo a palmada como correção, eu levei poucos bolos dos dois).Mas quando vejo o jeito que meu marido trata as nossas filhas e a maneira que o pai dele trata ele, eu descubro que há um mundo em que os pais demonstram afeto e carinho por seus filhos. Que é possível uma amizade com respeito, e não o medo e receio que eu sempre tive dele. Até hoje sinto um desconforto quando estou perto dele, é incrível isso. E mesmo assim é pesaroso o fato de não tê-lo comigo por todos estes anos. Apesar da omissão, eu o amo. 

  

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