Apenas um dia qualquer de primavera

É mais claro e ensolarado, mas não quer dizer que tenha menos neve ou frio. A noite chega por volta das 19h e o dia, já às 6h. Já não preciso tanto do carro e até me arrisco em algumas caminhadas mais longas com Mr. Salsicha. 
Enquanto a cidade grande está assim…



Oslo, faculdade de ciências jurídicas



A roça onde moro ainda está assim 



A neve estava tão fofa que até arrisquei um boneco


Não é dos maiores porque não tenho coluna pra isso. Porém, tenho certeza que vai inspirar minhas meninas a tentarem um maior.

Falando em faculdade, terminei anteontem meu trabalho final. Simplesmente uma-semana-antes-do- prazo, para a surpresa de meus colegas de classe. A maioria nem começou. E lá fui eu explicar que eu tive que fazer tudo antes porque tenho duas filhas e não posso me dar ao luxo de me trancar em um quarto por uns 3-4 dias para escrever. Preciso contar que não tenho fins de semana disponíveis, que a escola pode fechar para dia de planejamento, crianças adoecem e etc. Tudo acontece quando se está com prazo curto. Além disso, eu preciso separar um tempo para a minha professora de norueguês revisar meus textos, né? Enfim, ter uma organização é tudo e eu aprendi a duras penas. Hoje, com a cabeça mais relaxada, fiz alguns outros deveres de casa, só que a apatia pós almoço me pegou de vez. Não contei conversa e vim aninhar-me embaixo do edredom. 

Pensei no dia atípico que eu tive ontem, um dia muito bacana e especial. Tenho uma colega de classe, uma norueguesa que eu conheci semestre passado. Acho que sentamos uma ao lado da outra duas vezes, mas a sintonia/química foi instantânea. Só que eu parei de frequentar as aulas porque elas passaram a ser publicadas em vídeos no site da universidade, de modo que perdemos o contato e nunca mais nos vimos. Este semestre, para minha surpresa, quem estava na minha aula obrigatória de criminologia? Ela mesmo! Incrível! 

Ai que ontem ela me chamou para tomar um café na minha cafeteria favorita e lá conversamos sem parar. Muitos foram os assuntos, de professores, matérias, trabalhos, profissões a família e relacionamentos. Eu me abri com ela sobre a minha dificuldade em relação ao norueguês acadêmico e ao mesmo tempo que me senti aliviada por tratar desse assunto com alguém além de meu marido, senti também um certo desconforto. É assim, eu aprendi que não podemos nos abrir 100% com as pessoas e ela, que eu não conhecia direito, sabia sobre minhas notas, de meus desafios e meus anseios profissionais( que também são os dela). Ora, eu até lhe passei todas as dicas para conseguir o trabalho que eu tinha no aeroporto!

É medo de ser usada, eu sei. Medo de me decepcionar mais uma vez, de levar uma rasteira e de me odiar por permitir que os outros me façam de besta. Tipo cachorro machucado, sabe? A pessoa vai dar um carinho, mas o levantar da mão, o pobre só lembra as porradas que levou.Eu sei bem..

Imagens- Arquivo pessoal

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