O Ser é Humano

E por isso, não dá para esperar outra coisa. Aliás, estranho seria se fosse diferente. 

Eu lembro do dia que descobri a minha segunda gravidez, foi um susto! Não havia programado e ainda me dividia em sentimentos de pânico e alegria. Em um jantar para os sogros, revelamos a boa nova e deles recebemos a mais sincera congratulação. Algumas horas depois, no aniversário de uma familiar muito querida, revelei a ela o meu pequeno segredo. O que vi foi uma mudança súbita de comportamento após um abraço frio. No momento eu não entendi o desânimo e até certa tristeza com a minha condição. Acabamos por nos afastar um pouco e só depois de uma conversa franca é que descobri sua luta para engravidar. Decepções, dramas, sonhos despedaçados mensalmente e eu chegava ali, no dia de seu aniversário, pra dizer que havia conseguido algo que ela tanto queria “sem querer”, quase que com pouco caso.

Lembrei também de uma amiga de infância/adolescência que era a minha melhor amiga de todos os tempos. Ela era muito gordinha, sofria bullying por toda parte e me revelou, anos mais tarde, que nada doía mais do que ser rejeitada ou até invisível para os garotos nas festinhas que frequentávamos. Me explicou que por isso se afastou de mim e que se arrependia muito por ter desistido de nossa amizade e por não suportar que eu me destacasse mais do que ela. A maturidade havia chegado, mas era tarde demais, pois eu estava me mudando para outro país.

Casos como estes mostram que existe toda uma história por trás de determinados comportamentos e que é necessário ter certo cuidado na hora de julgar o que consideramos por inveja. Tem que parar pra refletir, se colocar no lugar do outro, se perguntar se não agiria da mesma forma caso alguém esfregasse a felicidade bem nas suas fuças. 

Foi o que disse ontem a minha mãe. Ela estava magoadíssima porque sua amiga de aaaanos apresentava um comportamento quase que como de despeito em relação a ela, só porque mammis babadeira tinha mais sucesso com os homens do que ela. Disse que minha mãe estava com aquela entidade de vermelho do corpo, que só assim pra atrair tantos homens(Achava que essas disputinhas acabariam no tempo da escola? Minha mãe faz 70 ano que vem, haha!).


Eu entendo assim: Algumas vezes não é que a pessoa queira o que é seu, ela apenas se entristece por também não ter aquilo. Acho que seria bem diferente se todo mundo engravidasse de uma vez, que nem final de novela. Ou, se fôssemos as pegadoras matadoras do pedaço, ninguém ficasse segurando vela ou pra titia. Tipo, se todo mundo tivesse oportunidades iguais, sucesso, reconhecimento. Quando há uma diferença no estilo de vida, acho que é normal esse tipo de sentimento rolar, a coisa da grama do vizinho ser mais verde e tal.

Uns tem mais, outros tem menos, alguns levam a coisa para o lado nocivo e não descansam enquanto o objeto da inveja não caia infeliz, outros se afastam porque o que os olhos não veem, o coração não sente.

O que eu faço é ver o grau de nocividade. A pessoa faz isso sempre? Me afasto. A pessoa fez isso apenas uma vez? Valorizo o que há de bom em nossa amizade e evito falar no que possa despertar esse sentimento nela. 
Imagens- Reprodução

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6 pensamentos sobre “O Ser é Humano

  1. Barbara Reccanello

    É. .eu perdi muitas amigas.. elas diziam que eu sou feliz demais ou supervalorizo as coisas e isso é irritante 😦 enfim, eu tentei ser calada e sofri durante todo esse ano. Aos poucos vou me recuperando. ..meus familiares dizem que gostam de mim como eu sou: falante e sempre mostrando o lado divino maravilhoso das coisas, das pessoas, dos lugares. Mas nunca pensei que “ser feliz demais” fosse causar tanta confusão 😦

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    1. Candy Girl

      E como causa, Barbara. Infelizmente não é todo mundo que aprecia as dádivas que tem, focam no que não tem e no que o outro tem sobrando. Quando a sua alegria e viver irrita suas amigas, é realmente hora de se recolher. Logo você vai encontrar gente incrível e com uma vibe maravilhosa que nem você 😉😄

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      1. Barbara Reccanello

        Obrigada! Estou me reabrindo ao mundo aos pouquinhos. Vivi um luto muito grande. A ideia de ter o blog foi pra me ajudar a recuperar! E quando penso em desistir o namorado, as tias, mães, primas, e algumas amigas que souberam da minha tristeza não deixam!! Beijos

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      2. Candy Girl

        Poxa Barbara 😞 eu sinto muito! Decepções quando não estamos preparados é algo bem cruel mesmo. Mas aprendemos muito com essas passagens. E a coisa boa é ver você divando por aqui! Ter a família por perto é tudo! Sempre pense neles quando a tristeza bater, viu? Um beijo!

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  2. Candy Girl

    Nada que se desculpar, viu?A graça de um blog é esse convite a reflexão, a troca de experiência, o aprendizado com o que foi vivido pelo outro. Eu desabafo daqui, tu desabafa dai e assim vamos aliviando a barra que é a vida algumas vezes. 😉😊

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