Mudança Extrema

Me lembro da despedida. Descendo as escadas e encontrando minha mãe sentada na cozinha. Chorava muito a coitada, foi doloroso. Lembro que entrei no carro, eufórica por ser recém-casada, por ter uma mala cheia de expectativas que só os recém-casados tem. Não olhei pra trás nem quando o carro se distânciava da minha antiga residência nem quando me despedi do meu pai no aeroporto. Eu só olhava pra frente e que nada me impedisse. 

Cheguei na Suécia à noite. Vestido preto rodado, salto alto( o que é que uma pessoa faz de salto alto num aeroporrrrto, me diz?), cabelo escovado, maquiagem borrada por conta da dormida no avião. Um frio inesperado, afinal, “não era verão?” Nunca é verão à noite, apesar de ser verão, esta foi minha primeira lição em terra estrangeira. Vesti minha calça jeans em uma estação deserta, me perdi dentro de um casacão masculino e lá esperamos nosso trem. Segundo choque: Não importava estar cansada, faminta ou com frio, não havia ninguém para nos buscar ou nos abrigar. Então, de trem lotado fomos em pé até a cidade vizinha a Estocolmo. Não me lembro como chegamos em casa nem como fora a primeira noite na minha casinha de bonecas, só sei que aquela foi a primeira vez que me vi sozinha e longe do conforto familiar. A primeira vez que encontrei de verdade o Ice Paradise.


 10 anos que vivo entre Suécia e Noruega, 10 anos de Escandinávia. 

Hurra, Hurra, Hurra!

*Em comemoração aos 10 anos de escandinávia, preparei alguns posts contando como foi meus primeiros dias aqui.Aguarde!

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13 pensamentos sobre “Mudança Extrema

    1. Candy Girl

      Eu não sei, acho que me adaptei muito bem e tenho muita paz aqui onde moro. Eu vejo muito o lado da segurança e do quando voei alto depois que sai da barra da saia da minha mãe, rs
      Mas é óbvio, me assusta pensar no futuro, no curso natural da vida e do que poderia ter sido se lá eu estivesse…

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      1. Eu ando a viver muito esse dilema, espero não ser depressão , mas tenho vontade de gritar exatamente pelo q disse na última frase. Para mim já são 3 países completamente diferentes. O passado é o futuro tá sempre a martelar minha cabeça.:-(

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      2. Candy Girl

        Eu imagino que você tenha uma ligação muito forte com a nossa pátria. Eu tenho apenas com alguns familiares próximos, acho que isso explica um pouco a minha satisfação em morar longe de casa. Mas é aquela coisa, você já tem quase 20 -anos fora de casa. Não sei dizer se a esta altura também estarei assim, será?
        Vc visita o Brasil frequentemente?

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    1. Candy Girl

      Oi Roberta, não achei difícil porque eu gosto de um estilo de vida mais pacato e já vivia um pouco disso na minha cidadezinha. Eu também não me arrependo, não me vejo em outro lugar que aqui. Sinto saudades da convivência com meus familiares, mas o whatsApp ajuda bastante nisso😄

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  1. Eu não vou com frequência,. Dá p ver nos meus posts q vou a muitos lugares menos lá. Faz uns 6 anos q não vou. Na última tomei um susto, não queriam me deixar embarcar pq eu devia ter passaporte brasileiro Tb e eu não quis fazê-lo. Agora tenho medo do mesmo. Disseram à bastava um passaporte vencido, uma identidade velha.
    Uso skipe e whatsapp.

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  2. Pingback: Mudança Extrema- parte 2 – Ice Paradise

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