O ciúme

ai que eu estava num papo bom sobre viagens com a lituana mãe da melhor amiga da minha filha. Trocando experiências e passando as dicas, a aconselhei que pra viajar com criança para um lugar quente, era melhor ela ir para Austrália ou até Tailândia, ao que ela imediatamente respondeu:

😒: – Tailândia não que eu não quero perder meu marido.

Eu fiquei chocada. Pela sinceridade e coragem dela em falar isso e pelo ciúme genuíno, exposto sem reservas, em relação a mulheres de um país. Não quero chamar isto de preconceito, porque (acredito) que ela não tenha nada contra a Tailândia, a não ser pelo fato de que o país é conhecido aqui pela prostituição e principalmente, pelo que pude perceber, o marido dela deve ser admirador da beleza asiática. Ou seja, puro ciúme.Caso ele se interessasse por beleza africana ou latina, talvez o alvo seria outro( seria eu?rá!) e a viagem à Tailândia não seria descartada.

Ai eu fiquei pensando nesse medo que temos de perder o outro, que nos impede que exploremos o mundo, pessoas, diferentes atividades. Será que vale a pena ser assim?


Não vou mentir que não tenha meus medos, o ciúme também me visita, embora bem menos que 10 anos atrás. Não tenho estrutura psicológica nem espírito evoluído pra aceitar de boa um relacionamento aberto, muito menos situações de “perigo”, onde eu acredite que exista uma maior probabilidade de uma “fatalidade” acontecer. Fui criada assim, condicionada a não aceitar este tipo de comportamento e desconfiada à terceira potência porque vi minha mãe sofrer horrores pela infidelidade do meu pai. Porém,eu tento lutar contra isso porque viver com uma pulga atrás da orelha implica em muito sofrimento. Atualmente, estou numa fase de minha vida em que prefiro curtir meu relacionamento sem pensar muito em traição e se um dia algo desagradável acontecer, eu lido com as consequências. Se a pessoa não me dá motivos, eu não procuro pelo em ovo mesmo. Em partes confesso que esta tranquilidade tem a ver com a cultura Escandinava, que é bem mais tranquila que a brasileira(tipo, bem meeesmo, velocidade 1 do créu, hahaha!). Não sei se pensaria da mesma forma estando no Brasil com um marido brasileiro.

De qualquer maneira, aqui vai uma linda canção de Caetano Veloso, perfeita na voz de Geraldo Azevedo, “O ciúme”…
Dorme o sol a flor do Chico meio dia 

Tudo esbarra embriagado de seu lume 

Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia 

Só vigia um ponto negro, o meu ciúme 


O ciúme lançou sua flecha preta 

E se viu ferido justo na garganta 

Que nem alegre, nem triste, nem poeta 

Entre Petrolina e Juazeiro canta 
Velho Chico vens de Minas 

De onde o oculto do mistério se escondeu 

Sei que o levas todo em ti, não me ensinas 

E eu sou só, eu só, eu 
Juazeiro nem te lembras desta tarde 

Petrolina nem chegaste a perceber 

Mais na voz que canta tudo ainda arde 

Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê 
Tanta gente canta, tanta gente
cala 

Tantas almas esticadas no curtume 

Sobre toda a estrada, sobre toda sala 

Paira, monstruosa sombra do ciúme.”


Imagem-Reprodução

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