Luke 24: A despedida

Finalmente, o último dia no calendário natalino de 2015 do qual havia me comprometido seguir religiosamente como um nativo. Houve uma certa quebra do rito, mas eu precisava finalizar a coisa toda com uma reflexão de despedida. 
Deitada aqui na cama, entre malas, bolsas e objetos a serem empacotados, me pergunto quem é que vem ao Brasil para passar apenas 17 dias. Dois anos fora e todos os desejos, experimentos e encontros acumulados e comprimidos para serem degustados em pouquíssimo tempo. Eu sei que eu não deveria me queixar, foi tudo bom demais e inesquecível para mim e minha família. Porém, como evitar este sentimento de abandono? De ir embora sem saber se verei aqueles que amo tanto outra vez, especialmente os de idade avançada ou os enfermos? Tem também o meu amor impossível, meu salsicha preta que eu tive que deixar no Brasil. Ele completará já 13 anos, tem as barbas branquinhas e me parte o coração pensar que provavelmente eu nunca mais o verei outra vez. 

   
 
Tem tudo aquilo que eu gostaria de ter feito e não fiz, que não deu tempo de experimentar ou de encontrar tanta gente querida.

 A verdade é que morar em outro país é uma “morte” com benefícios. Eu posso, por um curto período, voltar à “vida”( ao país) e matar a saudade de tudo que eu fazia quando morava aqui, reviver momentos, visitar lugares especiais, reencontrar pessoas, mesmo que de maneira intensa e breve. Só que o ” outro lado” sempre estará me esperando, exigindo que eu volte a ser o meu novo eu o mais rápido possível, sem permitir que eu seque sequer as lágrimas de saudades.

É bem foda.O Brasil mexe comigo. Apesar da violência, da crise, da pobreza e tantas outros defeitos que fazem com que muita gente deseje ir embora daqui, não tem preço viver na sua terra com tudo aquilo que você conhece tão bem. Só que esse valor dado a pátria vem apenas para quem é expatriado de muitos anos. É preciso viver outros desafios ( não necessariamente ruins, que fique claro) para que enxergar as belezas daqui. Não, não há lugar como o nosso verdadeiro lar.

  
Como sobreviver a tudo isso? Lembranças e esperança de um futuro reencontro ❤️.

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