Um pai abstrato

Faz muito tempo que não falo com meu pai, muito mesmo. Eu sinto muito que ele esteja morto enquanto ainda vive. Que ele tenha escolhido não ter contato comigo, desde a minha infância. Meu comportamento de hoje é apenas um reflexo do comportamento dele em relação a mim, só depois que cresci é que fui entender isto.Não posso negar, ele trabalhou duro para manter sua casa, bancou minha educação, inclusive a universitária. Não me agrediu tanto, apenas alguns cascudos ou chutes embaixo da mesa (digo apenas porque, comparando com a educação rígida e o incentivo a palmada como correção, eu levei poucos bolos dos dois).Mas quando vejo o jeito que meu marido trata as nossas filhas e a maneira que o pai dele trata ele, eu descubro que há um mundo em que os pais demonstram afeto e carinho por seus filhos. Que é possível uma amizade com respeito, e não o medo e receio que eu sempre tive dele. Até hoje sinto um desconforto quando estou perto dele, é incrível isso. E mesmo assim é pesaroso o fato de não tê-lo comigo por todos estes anos. Apesar da omissão, eu o amo. 

  

Imagem-Reprodução

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