Girls don’t cry

Enquanto dobrava as meias das crianças na sala, escutei uma canção que gosto muito, Boys don’t cry, do The Cure.
Eu me lembrei que já passei por uma situação parecida, de fazer uma merda e me arrepender amargamente pelo resto da vida.

Um dia, em um passado muito distante, me apaixonei. Eu era adolescente e sabia muito pouco da vida, ações e suas consequências. Confiava nas pessoas próximas e era bastante influenciada por elas. O namoro estava legal, mas apesar de gostar imensamente do garoto, não sentia uma seriedade da parte dele. Ele continuava com uma vida de solteiro e eu não acreditava em sua fidelidade, eu não acreditava que ele gostava realmente de mim. Até que chegou um festejo importante na minha cidade. Ele alegou que trabalharia no evento e juntando a falta de seriedade e comprometimento com os conselhos de “amigos” e familiares, eu acabei por aproveitar a festa até demais, se é que você entende o que eu quero dizer. Gostava do carinha, mas não queria fechar a porta para outras oportunidades, no caso, encontrar uma pessoa bacana que realmente me levasse a sério.Eu acabei não encontrando o Mr. Right, é verdade. Dei de cara com o meu carinha trabalhando e isso me doeu pra caramba,pois ele falava a verdade.

Ao fim dos dias de festejos, eu liguei pra ele e o que escutei, me marcou pelo resto da vida. Ele disse que sabia do que eu havia feito e que não mantivesse mais contato com ele. Disse isso entre choro e gritos, uma explosão de sentimentos que nunca pensei que existisse nele. Eu não sabia que ele gostava de mim e me levava a serio.

Eu quis ir a seu encontro, abraçá-lo, recomeçar com todas as cartas na mesa. No entanto, mesmo que ele aceitasse, aquele namoro nunca seria o mesmo, por mais insignificante que tudo na festa tenha sido .Eu sofri muito calada e me prometi que nunca mais passaria por semelhante situação. Minhas atitudes seriam claras, assim como eu também exigiria o mesmo da pessoa com que eu me relacionasse.

E assim foi, tive um namoro muito bacana antes de me casar. Sempre dizendo o que penso e escutando o que o outro tinha a dizer, não dando espaço para dúvidas, interpretações errôneas e muito menos dando ouvidos a terceiros.Acho que agora que tudo anda tão virtual, a necessidade de se colocar os pingos nos “is” aumenta.Por isso, se você se encontra em situação parecida com alguém, melhor sentar e perguntar o que acontece. Desatar o nó ou apertá-lo de vez. Viver com ele frouxo pode magoar muita gente, inclusive você.

No fim das contas, apesar da experiência negativa, eu entendo que eu precisei passar por isso pra aprender que não é uma coisa legal de se fazer.Se ele exagerou ou se eu tinha razão, no fim a dor é a mesma. Um trauma que virou algo positivo e que hoje reflete na minha vida, formou o meu caráter de apreciar a honestidade acima de todas as coisas. E principalmente, não me envergonhar de meus sentimentos. Boys and Girls choram, e como choram!

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