Ter babá em casa é motivo de matéria em jornal norueguês

Este é um dos muitos choques culturais que os brasileiros enfrentam na Noruega/ Escandinávia. Enquanto no Brasil, o cuidado dos filhos é praticamente delegado à babá, aqui é mãe e pai que assumem seu papel, no momento em que elas não estão na escola/creche, claro. Por este motivo, a blogueira norueguesa Anja escondeu de seus seguidores o fato de, apesar de ser dona de casa em tempo integral, ela tem uma babá para cuidar de sua filha e ajudar nos afazeres domésticos.

  
Matéria completa aqui

Ela disse que ocultou o fato porque temia ser criticada e que ela ama estar com sua filha, mas gosta de ter tempo pra ginástica, pra um café com as amigas, um shopping, essas coisas. Dava pena o jeito que ela se justificava, quase implorando pelo o entendimento de seus leitores.

Como eu sou brasileira, não acho lá grande pecado a fia ter uma nanny pra poder viver, afinal, a maioria aqui tem creche, não é verdade? É muito fácil criticar quando se está em uma situação confortável. Eu já tive ajuda de uma babá quando estive pela primeira vez com minha Ju no Brasil. Não utilizaria esses serviços outra vez porque acho muito invasivo ter uma pessoa estranha em casa cuidando da minha filha e fazendo parte da minha intimidade. No entanto, eu digo isso porque minhas filhas estão na creche ou escola durante a semana e porque tenho ajuda dos meus sogros quando necessitamos. Minha situação confortável não tira minha compreensão e compaixão por essas mães que se dão ao máximo e mesmo em frangalhos, estão com os filhos do lado porque não há outra opção. E ai eu pergunto, do que adianta ser tão presente, se é infeliz? Se há tristeza, descontentamento e decepção com o papel de mãe que precisa representar 24/7?E os pais “presentes” que enfiam um tablet na cara no filho pra ter paz?Do que adianta?

Como a blogueira escreveu, ela precisa de uma vida além da maternidade para ser uma boa mãe pra filha. Se A ou B curtem uma rotina pesada como esta, se nasceu com vocação, massa. Mas nem todas são iguais e o momento de lazer precisa ser considerado para que a maternagem não seja um fardo na vida.

É claro que não é correto utilizar dos serviços das cuidadoras de forma exagerada ( como muita gente faz no Brasil), afinal, os pais precisam ter contato com seus filhos, dar banho, ler historinha, colocar pra dormir, cuidar e educar no sentido real da palavra. Porém, não julgo quem utiliza desses serviços moderadamente, desde que faça sua parte e tenha um tempo de qualidade com sua criança no momento em que estiverem juntos.Assim, fica todo mundo satisfeito.
Imagem-vg.no 

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Na telinha: Take on me

Em comemoração aos 30 anos de “Take on me”, o canal norueguês disponibilizou ontem uma maratona de entrevistas e shows do A-ha, focando especialmente esta música.

Trecho da música que toca minha alma.  
Foi muito bacana saber mais da história da banda, saber de algumas curiosidades ( você sabia que a moça do clip Take on me teve um relacionamento com o Morten ???)e perceber que eles continuam impecáveis, talentosos e apaixonantes!Morten é tão lindo quanto antes e o Magne tá cada vez mais hot.

   
 
A foto uó da tv, só pra ilustrar.

Eu desisti de assistir o resto por volta da 00h, porque né, depois de sexta é sábado e as crianças me esperam bem cedinho pela manhã, mas há sempre a esperança por uma reprise, né?

Pra quem mora por essas bandas e curte o A-ha, foca no canal NRK!Quem sabe não rola um repeteco?

Imagens-Arquivo pessoal

O mundo dá voltas e…volta para o mesmo lugar

Navegando pela net ( ou foi pelo Facebook?), dei de cara com este texto fantástico sobre nossas escolhas profissionais, o verdadeiro dilema que é seguir a vocação ou optar pelo que o mercado de trabalho necessita.Eu sempre tive vocação para o desenho, era meu hobby favorito na infância. Me lembro que desenhava várias histórias no papel, minha imaginação voava. Estava certa que seria estilista, mas chegou a época do vestibular e também com ele, o choque de realidade. Na minha cidade, o mercado de desenho e moda é muito desvalorizado. Terminando um curso desses, não sobram muitas opções que ser professor ou ser estilista de lojas de tecidos. Para além disso, só se eu me mudasse para uma cidade grande e mesmo assim, teria que penar um bocado até chegar em uma marca própria. Não era um sonho impossível, porém, para uma menina de 17 anos completamente dependente de seus pais, era inviável. Tentei partir para o jornalismo, no entanto, meu pai foi taxativo e me disse que só pagava faculdade se fosse para o curso de Direito.

Hoje eu o entendo perfeitamente, mas na época eu fiz o curso com muita má vontade. Tinha boas notas, mas o conhecimento ficava apenas nas provas. Eu levava aquilo como uma continuação do ensino médio, sem me dar conta de que aquelas informações seriam de grande importância na minha vida profissional.Foi ai que conheci o amor. E no meio do furacão de emoções, o que eu menos queria na vida era saber de estudos e leis.

Me formei, fiz minha parte. Me casei e troquei de país, para um novo começo. Tinha planos de estudar a língua por alguns anos, trabalhar e entrar em uma faculdade de moda daqui. Só que ai me veio mais um furacão de amor: os filhos. E com eles, a maturidade. A garra de quem não tem tempo a perder, de quem quer um lugar ao sol, por eles. E com todo o sentimento descrito pelo autor do texto, eu escolhi o curso de Criminologia para me agarrar. É uma área muito interessante que pode me ajudar a conseguir um emprego bacana, fechado!

Hoje, eu não desenho mais. Me dá mais prazer escrever aqui e fotografar, atividades que suprem bem o desejo de poder usar minha criatividade. Eu estou em paz com a escolha que fiz e abandonei de vez o ar de vítima que fez um curso a força. Agora, que eu tive a oportunidade de seguir a vocação, eu não o fiz, bastante consciente e sem arrependimentos. Bem melhor assim.

Graus negativos

-4 logo de cara, início de dia.A Escandinávia voltou ao normal, penso logo. Alguns anos atrás este fato seria motivo de uma certa tristeza pelo definitivo fim do verão e início do período das trevas. Hoje, não sei se é conformismo, mas eu consigo apreciar mais esta estação do ano. Ver as folhas amarelarem, cairem, galhos desnudes, os dias de sol, apesar do frio. A sopa, meias quentes e café. O aconchego das cobertas, dos filmes, dos dias mais calmos. Cada dia, uma surpresa. As de hoje foram estas:
   
    
   
Outono em seu auge, a todo vapor!
Imagens- Arquivo pessoal

Parabéns, antes que o dia acabe

Como não lembrar daquele dia em que recebi você! Aquele dia em que você me fez mãe e eu te trouxe à vida! Nascemos as duas e juntas aprendemos tantas coisas ao longo de todos estes anos. O primeiro chorinho, a primeira mamada, o primeiro sorriso. E de repente você dormiu e acordou tão grande! Onde eu estava, que não percebi o seu rápido crescimento? Como assim quase não consigo te pegar no colo? Acho que quem acordou foi eu, em um mundo que minha filha tem já 6 anos!Parabéns ao meu amorzinho!
  

 
Imagem-Arquivo pessoal

Second Hand em Oslo: Fretex

Desafiando o tempo frio, ontem me arrisquei saindo assim:
 

Hora de aposentar as sapatilhas!
 
É o otimismo de quem acha que vai esquentar mais um pouco no decorrer do dia.O sol estava sorrindo lá fora, pelo menos. E esquentou, mas aqui ele de nada adianta se o vento não colabora.
  
Trocaram as flores dos canteiros. Está definitivamente tudo outonal.

   
 
Do lado da Universidade que estudo, tem uma loja que vende peças de segunda mão, a Fretex.

  
Ela é muito famosa na Noruega inteira e lá encontramos de roupas, calçados e artigos para o lar a discos, livros e peças de decoração. Toda vez que tenho aula, passo lá para ver se chegou alguma novidade. E nunca, nunquinha saio de mãos abanando.

Costumo comprar livros, especialmente infantis, e roupas para minhas meninas. São peças em muito bom estado e algumas delas ainda conservam a etiqueta da loja anterior. Os preços variam de 39kr, 49kr e pode ser mais alto caso a peça nunca tenha sido usada.

Eu acho o maior barato e fico muito contente por poupar algumas coroinhas em roupas que serão utilizadas por um curto período.

No entanto, eu ainda não me sinto confortável em comprar second hand para meu uso. Eu não curto o fato de um corpo desconhecido ter utilizado aquela peça antes e, quando há tantas lojas que vendem peças de baixo custo, eu acabo optando por elas. Sei bem que não é ecológico, que é uma grande bobagem ter pensamentos do tipo, mas tenho pra mim que isso é um lance cultural que só o tempo para mudar.

Enquanto isso, vou curtindo as minhas aquisições ( farei em breve um post com elas, aguardem!!)

Imagem- Arquivo pessoal

Høstferie: Férias de Outono

Eis a semana esperada pelos Noruegueses. Este período marca definitivamente a chegada do outono com uma brecha na agenda da familiar para curtição desta linda estação.   
Muitos viajam para suas casas na montanha ou para outros países, principalmente quem tem crianças em idade escolar, já que as instituições de ensino entram em recesso ( o que não acontece com o SFO-Skolefritidsordning, que a grosso modo é uma creche paga para criança maiores de 5 anos).
Como o maridex trabalha e eu tenho aula, estudo e leituras para várias vidas, ficamos mesmo por aqui e minhas meninas, cada qual na sua escolinha/creche. Por isso, pude comprovar o quanto a cidade se modifica nesta época: vizinhança desabitada, trânsito descomplicado, estacionamentos abundantes e folhas amareladas para todos os lados!!!

   
 
Tem como não amar o Outono?
Imagens- Arquivo pessoal